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“Não vivo de herança”: Flora Cruz fala sobre luto por Arlindo, casa nova, trabalho e carnaval

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“Não vivo de herança”: Flora Cruz fala sobre luto por Arlindo, casa nova, trabalho e carnaval

A vida de Flora Cruz virou de cabeça pra baixo desde a partida do pai, o sambista Arlindo Cruz, em agosto, depois de oito anos e meio de luta após o AVC. Entre o alívio de saber que o pai finalmente descansou e a dor da saudade, ela vai se reconstruindo aos poucos – mudando de casa, se jogando no trabalho e deixando claro: o sobrenome é pesado, mas a caminhada é por conta própria.

“A gente fez de tudo para que ele tivesse qualidade de vida nesses anos todos. Dá um sentimento de missão cumprida, mas o que pega mesmo é a saudade”, conta Flora, caçula de Arlindo.

Ela sente falta do pai em tudo, principalmente nas conquistas recentes, como a estreia na TV e a fase de casa nova, que ele não chegou a ver de perto.

“Meu pai sempre foi o meu melhor amigo, perdi um grande pedaço de mim. Agora estou na fase de me reencontrar”, desabafa.

Casa nova, energia nova

Uma das primeiras decisões de Flora foi mudar de casa. O lugar onde morava com o pai já não fazia bem nem pra ela, nem pro filho, Ridan, de 6 anos.

Ela conta que o clima estava pesado e que o pequeno sentia muito a falta do avô. A mudança veio como um respiro:

“Mudar de casa me ajudou muito. O clima estava difícil, meu filho sentia muito a ausência do avô. Agora estou reorganizando a vida, cuidando de mim, dele e dos meus projetos.”

E projetos não faltam. Além da maternidade e da vida pessoal, Flora está mergulhada em uma nova fase profissional.

“Flora na Folia” e o chamado do carnaval

Se tem alguém que tem o carnaval no DNA, é Flora. Filha de Arlindo, criada em meio a rodas de samba, quadras e desfiles, ela agora transformou essa vivência em conteúdo.

Nasceu assim o “Flora na Folia”, projeto que virou quadro às terças e sextas no programa “Vem com a Gente”, da Band. Nele, Flora visita escolas de samba do Rio, fala dos enredos e mostra os bastidores do carnaval.

“Desfilo desde os dois anos de idade. Esse universo faz parte da minha vida inteira. Sempre me preparei para viver isso intensamente”, explica.

Nada de entrar no ar “no improviso”: Flora faz questão de estudar cada escola, enredo e história antes de gravar:

“Eu mesma faço os roteiros, estudo tudo direitinho. Não quero falar bobagem. Comunicar é uma paixão e eu corri atrás de cada centavo pra colocar esse projeto de pé.”

Herança, inventário e a realidade por trás dos números

Em paralelo à carreira, Flora também lida com um assunto delicado: o inventário de Arlindo Cruz. Depois da morte do sambista, começaram a circular notícias sobre uma suposta herança milionária, falando em valores na casa dos R$ 30 milhões.

Ela garante que essa conta não bate com a realidade e lembra que manter o tratamento do pai por tantos anos exigiu muito investimento da família.

“Não sei quem inventou esse valor. As pessoas esquecem o quanto custou manter o tratamento dele até o fim”, diz.

Flora é direta quando o assunto é dinheiro e trabalho:

“Eu gosto de dinheiro, claro. Mas gosto mais ainda de trabalhar. Não vivo de herança. Se fosse pra viver disso, não teria feito faculdade, nem me arriscado em tanta coisa.”

Ela lembra ainda que os pagamentos de direitos autorais de Arlindo estão bloqueados pela Justiça até a conclusão do inventário. Enquanto isso, ninguém está parado:

“Meu irmão não para de fazer show, minha mãe está tocando os projetos dela, voltou a cantar, e eu estou trabalhando muito bem. A gente sempre teve disposição pra correr atrás do nosso.”

Sobre as polêmicas em torno do processo, incluindo as falas do filho que Arlindo teve fora do casamento, Kauan Felipe, Flora prefere não entrar em detalhes:

“Eu não falo nada, deixo pros advogados resolverem. Todo mundo vai receber o que for de direito.”

Samba em família: Ridan respira carnaval

Se o samba veio de Arlindo pra Flora, agora passa de Flora para o pequeno Ridan. O filho de Flora já toca na bateria mirim e é, segundo ela, completamente apaixonado pelo carnaval.

Ele divide o amor entre escolas: está na Estrelinha da Mocidade, escola do coração dele, e também no Império do Futuro, ligado ao Império Serrano, escola do coração da mãe.

“Ele realmente respira carnaval. Ouve samba antigo porque ele quer, pede pra ouvir. Já está na bateria mirim, é apaixonado.”

Flora também se empolga com os enredos do próximo carnaval e faz questão de destacar dois:

  • O enredo da Vila Isabel, que vai homenagear Heitor dos Prazeres
  • O enredo do Império Serrano, sobre Conceição Evaristo, que ela define como uma potência de história e energia

Coração aberto, mas foco no CNPJ

Na vida amorosa, Flora manda a real: está solteira, sem neura para relacionamento sério, mas também sem fechar as portas.

“Obviamente, beijo uma boca e tomo um vinho de vez em quando. É necessário, faz bem pra manter meu lado mulher vivo”, brinca.

Mas, por enquanto, o foco é outro:

“Meu foco agora é no meu CNPJ. Trabalho, projeto, vida profissional. Não estou fechada pra um novo amor, mas penso muito antes de levar alguém pra minha casa. Não quero confundir a cabeça do meu filho.”

Entre saudade, reinvenção, trabalho e samba, Flora mostra que carrega o legado de Arlindo Cruz com muito carinho, mas sem se apoiar apenas no sobrenome. Ela honra a história do pai do jeito que ele mais gostaria: seguindo em frente, de pé, fazendo o próprio caminho e mantendo o samba vivo dentro e fora de casa.

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