Holofote
Kamilla Fialho destaca o impacto do funk na música, cultura e na economia brasileira: “Movimenta negócios, gera renda e transforma realidades”

Presente nos rankings das plataformas de streaming, em festivais internacionais, campanhas publicitárias e no universo da moda, o funk se tornou um importante motor da economia criativa, deixando de ocupar apenas as pistas e os bailes para se consolidar como uma das maiores forças da indústria da música nacional. A empresária Kamilla Fialho fala sobre o impacto do gênero.
Para a empresária, que é uma das principais executivas do mercado musical brasileiro, esse crescimento é resultado de décadas de trabalho e profissionalização de um movimento que, por muito tempo, precisou lutar por reconhecimento. Com mais de 20 anos de atuação na indústria do entretenimento, Kamilla Fialho construiu uma carreira diretamente ligada ao desenvolvimento do funk brasileiro.
À frente da K2L, empresa que preside, tornou-se responsável por impulsionar nomes que ajudaram a redefinir o gênero no mercado nacional, como Anitta, Lexa, Rebecca, Valesca Popozuda, Naldo, MC Sapão e Kevin o Chris.
Segundo Fialho, o principal avanço do funk não está apenas no sucesso comercial, mas na forma como o mercado passou a enxergar o gênero. “Durante muito tempo, o funk era tratado como um fenômeno passageiro, quando, na verdade, sempre foi uma potência cultural e econômica. Hoje ninguém mais consegue ignorar a capacidade que o gênero tem de criar tendências, movimentar milhões de pessoas, gerar empregos e influenciar diferentes mercados. O funk deixou de pedir espaço. Ele passou a ocupar lugares que ajudam a transformar a indústria da música.”, comentou.
Antes de se tornar empresária, Kamilla conheceu o movimento de perto como apresentadora da Furacão 2000. Foi ali que percebeu que havia um enorme potencial artístico convivendo com um mercado ainda pouco estruturado.
“O talento sempre existiu. O que faltava era uma indústria preparada para transformar esse talento em carreiras sustentáveis. A profissionalização mudou completamente esse cenário. Hoje discutimos planejamento estratégico, direitos autorais, posicionamento de marca, mercado internacional e construção de legado. O funk amadureceu sem perder sua essência e provou que é capaz de dialogar com qualquer mercado do mundo.”, disse a empresária.
Embora o gênero tenha conquistado espaço nas principais plataformas do mundo e se tornado referência para artistas internacionais, Kamilla acredita que o maior desafio ainda está dentro do próprio Brasil. “Ainda existe um preconceito muito velado. O funk é celebrado quando bate recordes, quando chega ao exterior ou quando grandes artistas internacionais incorporam nossos ritmos. Mas ele precisa ser valorizado pela sua importância cultural antes mesmo da validação de fora. O funk é uma manifestação genuinamente brasileira e merece esse reconhecimento pelo que representa para milhões de pessoas.”
Ao longo da carreira, Kamilla também precisou romper barreiras por atuar em um ambiente historicamente liderado por homens. Para ela, a presença feminina nos espaços de decisão é um dos fatores que ajudam a transformar a indústria.
“Ser mulher em uma posição de liderança dentro do mercado do funk nunca foi simples. Durante muitos anos precisei provar minha capacidade muito mais vezes do que qualquer homem precisaria. Felizmente esse cenário está mudando, mas ainda temos um longo caminho pela frente. Quanto mais mulheres ocuparem cargos de gestão, produção, direção e negociação, mais diversa e forte será a indústria da música.”, reflete.
Para a executiva, o crescimento do funk também representa uma transformação social importante, ao criar oportunidades para jovens, movimentar diferentes setores da economia e ampliar o acesso à cultura. “Quando falamos de funk, estamos falando de uma cadeia produtiva enorme. Existem produtores, músicos, compositores, técnicos, equipes de palco, profissionais de comunicação, audiovisual, moda, publicidade e tecnologia. O impacto do funk vai muito além da música. Ele movimenta negócios, gera renda, cria oportunidades e transforma realidades. É um patrimônio cultural brasileiro e precisa ser tratado como tal.”










